08 junho 2006

Fifa começa a limpar uma imagem questionada do futebol

A Fifa aprovou hoje, 8 de Junho, durante o seu 56º Congresso, a adaptação de um Código Antidoping, a criação de uma Comissão de Ética e uma série de propostas para lutar contra os males que afectam o futebol.

A Fifa, muito acusada de não agir como deve, ensaiou uma nova política para enfrentar denúncias, por exemplo, de apostas ilícitas, racismo e corrupção, como aconteceu com o futebol italiano.

«Em princípio, a partir de agora, como estipula o código de disciplina da Fifa, ao cometer a primeira infracção, o responsável será suspenso por dois anos e, em caso de reincidência, com o afastamento definitivo. Tudo isto como determina o Código da Agência Mundial Antidoping», explicou o escocês David Will, vice-presidente da Federação.

«Porém o acordo entre a Fifa e a AMA prevê também um julgamento individual de cada caso, como o aprovado pelo Tribunal Arbitral de Desportos», acrescentou Will.

A Fifa aprovou também a criação de uma Comissão Ética, por iniciativa da Federação Suíça (ASF), para qual estas questões são de «importância capital», apesar de «não serem levadas suficientemente em conta no futebol».

Também lançou uma série de propostas para acabar com outros males do futebol, como a corrupção, a propriedade múltipla dos clubes, o racismo, as apostas arranjadas.

Entre as medidas propostas pelo grupo de trabalho estão as questões financeiras sobre as contratações de jogadores, um campo no qual, segundo os membros do grupo, é difícil agir, principalmente, quando aparecem os rumores sobre «lavagem de dinheiro ou pagamento sem recibo».

Segundo o presidente da Fifa, Joseph Blatter, foram elaboradas "propostas concretas destinadas a melhorar a conduta e a transparência no futebol". «Agora temos que estabelecer os instrumentos adequados para que essas propostas sejam aplicadas. Vamos passar à acção», concluiu Blatter.

É evidente que o passado não nos deixa tranquilos. A Fifa promete, mas depois outros valores mais altos se levantam. O mundo do futebol é cada vez menos mundo do desporto e cada vez mais de negócios nada claros. Esta mistura da economia dita legal com a ilegal não acontece só no futebol – e noutros desportos de grande implantação em vários países – é uma mistura que assegura hoje muito «milagre económico» que depois se atribui a factores que são apenas marginais.

Mas como a escandaleira agora é tanta talvez, desta vez, a Fifa leve por diante alguma coisa.

Sem comentários: